Tese e Dissertação

Tese de Doutorado: Consumo Erótico Feminino e Cultura Material (2012)

Autora: Luciana Walther

Resumo:

Esta tese de doutorado teve por objetivo investigar o consumo erótico de um grupo de mulheres brasileiras. O tema do consumo erótico feminino foi identificado como lacuna epistemológica no campo da Administração. Ocorrem cerca de 120 milhões de relações sexuais a cada 24 horas. Muitos produtos e serviços podem estar vinculados à atividade sexual, sendo consumidos antes, durante e depois do ato. Portanto, urge pesquisar a relação entre sexualidade e consumo. Nos últimos anos, a indústria erótica e sensual tem realizado visíveis esforços para atrair e manter a clientela feminina, desenvolvendo produtos para esse público, muitos deles vendidos em sex shops exclusivamente femininos. Para a investigação da situação problemática identificada – o recente crescimento da visibilidade e da importância econômica, social e cultural do consumo erótico feminino no Brasil, seus antecedentes e suas consequências –, foram adotados: o paradigma interpretativista, a abordagem qualitativa e indutiva, a escala microssocial e a perspectiva da cultura material. A pesquisa de campo ocorreu nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Foram realizadas 35 entrevistas em profundidade com consumidoras e profissionais da indústria. Também foram implementadas sessões de observação em lojas e eventos do mercado erótico e sensual. Dados de campo foram interpretados à luz de estudos culturais do consumo e de teorias provenientes das Ciências Sociais, com foco sobre a Teoria Dialética da Cultura Material de Daniel Miller. Fotografias foram utilizadas como dados de pesquisa, servindo à interpretação e à geração de teoria, e não como meras ilustrações do que foi visto em campo. Os achados revelaram a dialética do relacionamento entre consumidora e produtos eróticos. Sujeito e objeto relacionam-se de maneira mutuamente constitutiva. Desse processo, saem transformados tanto a consumidora quanto os produtos eróticos. Foram detectados quatro modos de transformação da consumidora pelos produtos eróticos: transformação instantânea, identitária, conjugal e social. Recomendações gerenciais foram elaboradas a partir do entendimento do ciclo do consumo, que revelou as condições que levam ao sex shop, a variedade de experiências no sex shop e em outros canais de venda, as características e implicações do uso conjugal e do uso individual de produtos eróticos, e questões de higienização, armazenamento e descarte. Foram discutidas visões e crenças das consumidoras sobre orgasmo feminino, alteridade, papéis de gênero, e ganhos e perdas advindos da participação feminina na arena do consumo erótico. Foram estudados os fenômenos da personificação dos vibradores e próteses, da objetivação e da objetificação das mulheres, da função educativa do consumo erótico, da infantilização da sexualidade feminina e da resistência ao consumo erótico. O foco sobre a cultura material permitiu a compreensão de como a materialidade cria molduras normativas que orientam, silenciosamente, comportamentos no sex shop, tanto em direção à trivialização do consumo erótico, à descontração, à graça e às compras, quanto à vergonha, ao nojo, ao afastamento e à resistência. Produtos eróticos podem funcionar como mediadores dos relacionamentos entre cônjuges, entre amigas e até entre mães e filhas. Na conclusão, é apresentado o conceito de cuniculantropia e são discutidos os motivos pelos quais o vibrador não constitui ameaça aos homens.

A tese foi adaptada para livro impresso e digital publicado pela Editora Mauad em janeiro de 2017, com o título “Mulheres que não ficam sem pilha: como o consumo erótico feminino está transformando vidas, relacionamentos e a sociedade”. Para saber mais, clique aqui: http://www.lucianawalther.com/livro/.


Dissertação de Mestrado:  Imagem, luxo e dilema: um estudo sobre o comportamento de consumo das patricinhas do Rio de Janeiro (2002)

Autora: Luciana Walther

Resumo:

Esta pesquisa tem como objetivo analisar o comportamento de compra de um segmento específico de consumidoras cariocas: meninas adolescentes, pré-adolescentes e pós-adolescentes, pertencentes às classes sociais mais elevadas da cidade do Rio de Janeiro. Conhecidas como “patricinhas”, estas moças formam um grupo de grande interesse para as empresas que nesta cidade pretendem atuar, principalmente na indústria do luxo, uma vez que são intrinsecamente caracterizadas como consumidoras vorazes. Usualmente detentoras de grande poder aquisitivo, estas meninas merecem ter seu comportamento de consumo estudado e descrito sob a ótica do Marketing, tendo como ferramenta auxiliadora a Antropologia. Os fabricantes de produtos e serviços a elas destinados, hoje, ainda parecem não dispor da informação necessária para atender à referida demanda com eficácia estratégica. Faz-se necessário, portanto, um estudo etnográfico das “patricinhas” enquanto consumidoras. O dilema com que se deparam as patricinhas foi uma das questões mais instigantes que emergiram do discurso das informantes: a atração pelo consumo conspícuo de marcas de luxo seguida de sua negação. Além disso, constatou-se que o poder aquisitivo das chamadas patricinhas nem sempre corresponde ao que se imagina, fator que pode gerar frustração e rejeição dentro de um grupo no qual o mais importante é diferenciar-se e pertencer. Assim, a presente dissertação busca identificar e descrever, por intermédio do método etnográfico, o universo simbólico que forma o repertório eleito pelas referidas moças para comunicarem quem são e o que pensam.

Clique aqui para visualizar ou baixar a dissertação completa: http://objdig.ufrj.br/41/teses/Luciana_Walther.pdf

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