Próxima Parada: Cidade do Prazer

É com enorme satisfação que compartilho o link para o artigo que publiquei no Journal of Business Research em coautoria com o Prof. Dr. John Schouten, da Aalto University School of Business e da University of St. Gallen. A versão impressa sairá em 2016. A versão online já está disponível e permanecerá gratuita para leitura e download até 3 de janeiro.

O Journal of Business Research figura no ranking do Google Acadêmico como o periódico científico de Marketing mais influente no mundo. Nosso artigo faz parte de um volume especial sobre transformações intitulado Leaving Pleasantville: Transforming beyond Self in Everyday Life, editado por Carol Megehee, Eunju Ko e Russell Belk.

Com um título que poderia ser traduzido para o Português como Próxima Parada, Cidade do Prazer: Transformação Identitária e Consumo Erótico Feminino (Next Stop, Pleasure Town: Identity Transformation and Women’s Erotic Consumption), o artigo apresenta um recorte dos achados de minha tese de doutorado, focalizando as transformações atravessadas tanto pela consumidora que adentra a arena do consumo erótico quanto pela indústria erótica em si, depois de seu encontro com a consumidora mulher. Dessa relação mutuamente constitutiva, saem ambas transformadas: consumidora e indústria.

Uma mulher que, ao usar um produto erótico como o vibrador, consegue atingir, pela primeira vez na vida, o orgasmo se transforma em uma nova mulher. De um instante para outro, ela passa a vivenciar uma experiência que tem sido construída culturalmente como essencial. Mulheres que não atingem o orgamo podem ser vistas, nas sociedades contemporâneas ocidentais, como incompletas, incompetentes ou doentes. O orgasmo, além de agora possível, passa a ficar disponível quando e quantas vezes a mulher quiser.

Além dessa transformação corporal e instantânea, ao se relacionar com produtos eróticos, a consumidora pode atravessar transformações identitárias, reformulando quem ela acredita ser. A compreensão sobre seu próprio corpo e sobre seu prazer, mediada pelos produtos eróticos, pode transformar a identidade da consumidora, que se torna protagonista e autora do próprio prazer.

Uma vida sexual ativa se tornou, na contemporaneidade, medida da saúde dos relacionamentos conjugais. Produtos eróticos usados a dois podem acarretar transformação conjugal resgatando a qualidade das relações sexuais, especialmente de casais que estejam juntos há muito tempo.

A sociedade também sai transformada da relação entre mulher e indústria erótica. Mulheres empoderadas propagam suas transformações ao relatá-las para amigas e para seus parceiros ou parceiras. O crescente interesse da mídia sobre a consumidora de produtos eróticos também é responsável pela disseminação dessas transformações, que vão ganhando dimensões coletivas. Consumo influencia cultura, que influencia consumo.

A indústria, por sua vez, tem se transformado para satisfazer necessidades femininas, abandonando uma antiga visão androcêntrica do prazer da mulher. Essas transformações se evidenciam na decoração cor-de-rosa das butiques eróticas, nos vibradores de formas esculturais que priorizam o clitóris, no discurso das vendedoras treinadas para se tornarem confidentes de suas clientes, na oferta de cursos como os de pompoarismo ou pole dance.

Para saber mais sobre essas e outras trasnformações, acesse o artigo antes do dia 3 de janeiro de 2016, clicando aqui.

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